Às vezes eu sinto que só vivo prendendo a respiração, sufocando cada vez mais a cada dia, tentando só ter mais um dia, mas parece que a qualquer momento eu vou surtar... E não sei o q vai acontecer. Me sinto errática, incoerente. Minha vontade de fazer nada e tudo é permanente. Eu queria viver e morrer em um abraço, o teu, e fora isso eu não consigo dar um passo sem morrer. Meu bolsão de ar em que respiro uma boa quantidade de oxigênio pra depois seguir prendendo a respiração tem sido teus braços, mesmo que às vezes tão frios e silenciosos. mais do que a própria morte que me rodeia. Eu sinto que essa é a única coisa que eu ainda tenho e ao mesmo tempo sinto que não tenho mais nada. Acho
que só não quero o silêncio que me faz escutar meus próprios fantasmas, que me faz ser assombrada pelas vozes na minha cabeça. Mas eles estão sempre aqui.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
quarta-feira, 12 de junho de 2019
É estranho sentir o tudo e o nada ao mesmo tempo... Talvez porque eu tenha evitado vir aqui e ficar de frente ao que tem me afogado. Todos os dias. Tenho medo de olhar pro abismo e ser sugada por ele. De abrir a porta durante a tempestade e não controlar a chuva que entra. Mas eu não me sinto feliz, esse é um ponto importante. E eu não sei porquê. Antes de toda a confusão que foi sair de casa, imaginei que quando tivesse meu canto eu me sentiria melhor, que eu finalmente ia saborear o gosto da conquista, de algo tão desejado por tanto tempo. Mas hoje a vida se resume a vários tanto faz. Eu vou ser mais direta nessa conversa: eu tô quase convencida de que nao consigo viver. 24 anos me mostraram que não importa o que aconteça, eu nunca vou sair desse ciclo de ter planos e sonhos e no meio do caminho perceber que eu nunca vou chegar nem perto das coisas que eu quero. Que no meio do caminho a vida vai se tornar pesada, doída, incapacitante. Que eu vou me frustrar por não conseguir aguentar tudo que nem todo mundo, porque quer, porque precisa. Qual o preço que a gente paga por ser diferente? Eu sinto que não tenho chance de viver nessa vida que nos é posta hoje, e não tenho energia nem habilidades pra construir uma que me caiba, como um dia imaginei fazer. Eu sinto que eu nunca vou conseguir viver, e eu quero morrer todos os dias. Seria um alívio tão grande. E dá um pouco de alívio admitir isso. Que eu não consigo. Que dói. Que me dilacera. Eu tanto já tentei em tanto canto... E o pior que no meio dessa confusão eu passo a só pensar o pior e a duvidar de tudo. Porque no fim eu acho que não mereço e que as pessoas não vão dar a mínima. Ou que tudo isso que sou eu é demais, e pesa, e eu não deveria incomodar ninguém com meus problemas e dores. Se eu só desaparecesse tudo ia ser mais fácil pra mim e pra todo mundo. Eu ia finalmente parar de sentir dor e ter a paz do que se é findado. E pra todos os outros, eu só não ia mais doer ou incomodar ou ser mais um problema. Às vezes eu só quero um abraço, ou ouvir se sou especial. Saber como as pessoas se sentem em relação a mim... Eu só queria um abraço e saber se sou amada e porquê. Porque na maioria das vezes nao vejo motivo... Porque eu me sinto num buraco onde não me enxergo. Porque eu não sei mais pedir ajuda ou afeto ou qualquer coisa. Por me sentir um peso maior do q as coisas boas que possa carregar... Por não querer que ninguém se sinta obrigado a nada. Por nao querer que minhas dores machuquem mais alguem além de mim. Se eu fosse embora as pessoas poderiam seguir em frente e encontrar amores mais leves e melhores. Eu não tenho nada .eu não sou nada. Não tenho nada a oferecer alem dessa bagunça. Eu só queria ir embora de mim.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
No fim, estamos todos sós.
Trancados em nossas salas escuras onde nada nem ninguém pode nos alcançar.
Nada além do sobrenatural que rege as coisas,
Nada além da inteligível mão que rege o universo.
E continuamos lá,
O grito preso na garganta, como um eco sem fim
ensurdecendo os sentidos
turvando qualquer caminho.
Nas salas escuras- de onde nunca devemos esquecer que pertencemos
A maior ilusão da vida
É acostumar-se com a luz
Se nosso sangue e alma são feitos de trevas
Nos habituamos à claridade do mundo
Chegamos a esquecer, até, de onde um dia viemos
Queimamos nossos olhos na luz irradiante
Pela vontade desesperada de brilhar
É aí, então, que nos são fechadas todas as janelas
Nos é tirado aquilo que nunca nos pertenceu
E somos, de volta, jogados no buraco da Alice
Uma queda profunda, brutal
Mas necessária
Para que nos lembremos
Daquilo que realmente é nosso
Pois somos cegos de nascença
Tateando a escuridão
Conhecendo os limites do mundo pela ponta dos dedos.
Somos nossos próprios guias
E a melhor forma de evitar as quedas é sermos cientes
de que não passamos de cegos.
Cegos sem voz.
Raízes
Depois de um tempo, aqui voltamos
Na tentativa de um mergulho profundo
De um ressonar nas entranhas
De encurvar-se em si mesmo
De olhar pra dentro
Escavar com as mãos
Até sangue, suor e sabor
Chegarem às raízes reviradas
E ali, enfim, fazer casa
Em gruta esquecida e profanada
Labirinto secreto
Onde por anos perdi as coordenadas
Mas que só eu sei o caminho
Hoje escavo com as mãos
Querendo me sujar inteira
De terra, de solo, de mim
- Quero o sabor da essência
Quero pendurar-me nas raízes
Docemente afagá-las
Enxugá-las com lágrima e pedir desculpas
Pelo abandono. Esquecimento. Desencontro
Por ignorar, por fingir
Por esconder, por ceder
Até a última gota
Até a última semelhança
Por me esvaziar de mim
De ti, que sou eu, e que há muito estava perdida
Porque hoje não sou tu
Mas quero ser
Pra ser inteira, pra ser imensa,
pra ser.
Na tentativa de um mergulho profundo
De um ressonar nas entranhas
De encurvar-se em si mesmo
De olhar pra dentro
Escavar com as mãos
Até sangue, suor e sabor
Chegarem às raízes reviradas
E ali, enfim, fazer casa
Em gruta esquecida e profanada
Labirinto secreto
Onde por anos perdi as coordenadas
Mas que só eu sei o caminho
Hoje escavo com as mãos
Querendo me sujar inteira
De terra, de solo, de mim
- Quero o sabor da essência
Quero pendurar-me nas raízes
Docemente afagá-las
Enxugá-las com lágrima e pedir desculpas
Pelo abandono. Esquecimento. Desencontro
Por ignorar, por fingir
Por esconder, por ceder
Até a última gota
Até a última semelhança
Por me esvaziar de mim
De ti, que sou eu, e que há muito estava perdida
Porque hoje não sou tu
Mas quero ser
Pra ser inteira, pra ser imensa,
pra ser.
terça-feira, 11 de março de 2014
(...)
Leve, o encanto
do canto
da dança serena
que desliza e afina o simples tocar
Leve, sereno,
é o ardor ameno
que vem tão pequeno
de um tímido olhar.
Mas cresce calado
sofrido, manchado
de fel maculado,
um quase sangrar.
Mas que fez dos teus olhos
fármaco, unguento
da boca selada
a sala de estar.
Da tu'alma destino
oásis divino.
dos teus braços ferinos,
onde eu tinha que estar.
(....)
do canto
da dança serena
que desliza e afina o simples tocar
Leve, sereno,
é o ardor ameno
que vem tão pequeno
de um tímido olhar.
Mas cresce calado
sofrido, manchado
de fel maculado,
um quase sangrar.
Mas que fez dos teus olhos
fármaco, unguento
da boca selada
a sala de estar.
Da tu'alma destino
oásis divino.
dos teus braços ferinos,
onde eu tinha que estar.
(....)
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Latência.
Sabe aquele momento em você percebe que ao respirar não faz esforço e que a mente há tempos desacelerou os rodopios? Percebe que já não existem planos mirabolantes e listas infinitas (só meia dúzia de vontades num papel). Percebe que já não há tanto drama ou exagero. Algo mudou sem que eu me desse conta. Será isso o que chamam de amadurecimento? Isso meio sem graça, meio sem desvio... Será isso o preço que a gente paga ao ser jogado no meio de uma sociedade quadrada e coerente; o preço que pagamos pra sermos responsáveis e iguais. O preço que pagamos pra sermos quem, no meio daquela época desvairada, escolhemos ser?
Mas se, ao esconder o que sou, em busca daquilo que pretendo ser, acabar não sendo mais quem eu era? Um caminho sem volta, sem reversão...
É preciso guardar com cuidado a essência do que se é para que não se perca no meio do caminho, senão todo caminho percorrido será em vão...
É preciso se guardar, ao se jogar no meio desse nada sem graça e sem sentido, em que é preciso sobreviver e focar no alvo. O foco deve ser firme, mas sem viseiras que nos ceguem daquilo que precisamos enxergar.
Que existam sempre as distrações para que nos lembremos aquilos que nos rege à vida.
Que minhas distrações me movam sempre ao alvo, ao meu desejo de ser tudo e não perder nada do que me faz feliz. Mesmo possuindo tantas coisas contrárias e contraditórias, pois é essa divergência que me faz andar, deixar com que meus 'eus' briguem entre si e vençam -um em cada hora, e eu possa experimentar a vida com todos os eus que existem em mim.
Mas se, ao esconder o que sou, em busca daquilo que pretendo ser, acabar não sendo mais quem eu era? Um caminho sem volta, sem reversão...
É preciso guardar com cuidado a essência do que se é para que não se perca no meio do caminho, senão todo caminho percorrido será em vão...
É preciso se guardar, ao se jogar no meio desse nada sem graça e sem sentido, em que é preciso sobreviver e focar no alvo. O foco deve ser firme, mas sem viseiras que nos ceguem daquilo que precisamos enxergar.
Que existam sempre as distrações para que nos lembremos aquilos que nos rege à vida.
Que minhas distrações me movam sempre ao alvo, ao meu desejo de ser tudo e não perder nada do que me faz feliz. Mesmo possuindo tantas coisas contrárias e contraditórias, pois é essa divergência que me faz andar, deixar com que meus 'eus' briguem entre si e vençam -um em cada hora, e eu possa experimentar a vida com todos os eus que existem em mim.
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