quarta-feira, 12 de março de 2014

tristeza é ter o universo nas mãos
e não poder segurar

terça-feira, 11 de março de 2014

(...)

Leve, o encanto
do canto
da dança serena
que desliza e afina o simples tocar

Leve, sereno,
é o ardor ameno
que vem tão pequeno
de um tímido olhar.

Mas cresce calado
sofrido, manchado
de fel maculado,
um quase sangrar.

Mas que fez dos teus olhos
fármaco, unguento
da boca selada
a sala de estar.

Da tu'alma destino
oásis divino.
dos teus braços ferinos,
onde eu tinha que estar.

(....)



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Latência.

Sabe aquele momento em você percebe que ao respirar não faz esforço e que a mente há tempos desacelerou os rodopios? Percebe que já não existem planos mirabolantes e listas infinitas (só meia dúzia de vontades num papel). Percebe que já não há tanto drama ou exagero. Algo mudou sem que eu me desse conta. Será isso o que chamam de amadurecimento? Isso meio sem graça, meio sem desvio... Será isso o preço que a gente paga ao ser jogado no meio de uma sociedade quadrada e coerente; o preço que pagamos pra sermos responsáveis e iguais. O preço que pagamos pra sermos quem, no meio daquela época desvairada, escolhemos ser?
Mas se, ao esconder o que sou, em busca daquilo que pretendo ser, acabar não sendo mais quem eu era? Um caminho sem volta, sem reversão...
É preciso guardar com cuidado a essência do que se é para que não se perca no meio do caminho, senão todo caminho percorrido será em vão...
É preciso se guardar, ao se jogar no meio desse nada sem graça e sem sentido, em que é preciso sobreviver e focar no alvo. O foco deve ser firme, mas sem viseiras que nos ceguem daquilo que precisamos enxergar.
Que existam sempre as distrações para que nos lembremos aquilos que nos rege à vida.
Que minhas distrações me movam sempre ao alvo, ao meu desejo de ser tudo e não perder nada do que me faz feliz. Mesmo possuindo tantas coisas contrárias e contraditórias, pois é essa divergência que me faz andar, deixar com que meus 'eus' briguem entre si e vençam -um em cada hora, e eu possa experimentar a vida com todos os eus que existem em mim.

sábado, 6 de julho de 2013

Sem título.

Me perdoa, meu amor
se me falta compostura
pra te amar com essa estrutura
que me diz que é desventura
te amar com tanto ardor.

É que falta-me postura
ao encontrar com tua figura
tão tomada de ternura.
Quero logo ter a bravura
de segurar em tua mão. 

Penso logo -que loucura!
em mostrar-lhe minha cintura
pra conduzir-me pelas curvas 
das molduras do salão.

E ao que diz essa cultura
digo logo: à sepultura!
pois terminaste minha procura
pelo x dessa questão.

Pois no fim da minha história
não há mais escapatória
pro moço da ocasião.

Já foi feita a mistura
quero logo a ventura
a loucura, o furacão

Vem depressa, vem agora
pra amar não se demora
que amanhã já sou senhora
e o tempo não volta não.
Vem fazer da calma, espora
transformar segundo em hora,
do vazio de outrora
um amor de inundação.

Diga logo o horário
pr'eu anotar no meu diário
todo o nosso itinerário:
 te amar com mais loucura
a cada passo de lonjura , 
te escrever uma partitura prum soneto de ocasião
te beijar só com fartura, expulsar toda amargura
me escupir como uma escultura, dentro do teu coração.



Valsa ao anoitecer

Vejo-a, minha amada,
no momento mais profundo
da minha escuridão,
reluzir-se feito chama
mas, ao grito que te chama,
desfaz-te na imensidão.

Vejo-a, em delírio,
aparecer-me num dossel;
encantando-me -teu perfume,
enlaçando-me com teus véus.

Vejo-a, de relance,
despir-se no meu jardim
-de toda a tua bondade
e perfumar-se de jasmim.

Vejo-a, novamente,
a transformar em cal e breu
a sua face serena,
o amor que nunca foi meu.

E os braços que ali estavam
-cobertos de ingratidão
a morte já abraçavam
entregues à escuridão.

Então vejo-a, finalmente
em meus braços descansar,
com seus pálidos-e perdidos, olhos
congelados no meu olhar
-Tua vida, donzela,  à iminência de uma lembrança-
Minha amada, agora tão bela,
ressona em sua última dança.

Tão doce, tão pura
tal qual como eu sempre quis.
Ao teu lado- Óh, eterna!
no nosso final feliz.



Sem título.

Que meu amor possa te mostrar
Toda felicidade que encontrei
Em teu amor, em teu olhar,
No mais lindo sonho que sonhei.

Que, quando olhar em meus olhos,
Meu coração possa encontrar
Declamado em poema,
No mais sincero ressonar.

Que tuas mãos possam sempre
Me sustentar e me prender
Ao teu amor e, suavemente,
Me trazer delírios de prazer.

Que, sempre, tua voz derrame
Notas de amor aos meus ouvidos
Com o ardor sempre doce
Dos teus sussurros, notas e gemidos.

Que eu me esvazie de tudo
E que teu amor em mim seja vida, ar
Pois nada, nada tem sentido
Se, em minha vida, eu não puder te encontrar.

Estás em mim porque és o único
Que preenche toda minha imensidão
És o único que poderia
Ser o eterno dono do meu coração.

E, antes que o sol se ponha
Na aurora do nosso amor
Que do meu beijo possa arrancar um último suspiro
E me levar contigo
Para onde você for...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

...Desabafo

E o que aconteceu com nossos sonhos? Com todas as pedras pisadas no meio do caminho, com todas as montanhas escaladas, com... tudo.?? parece, às vezes, que é tudo proposital... como se a vida, essa metáfora de algo que é muito mais físico e material, não entendesse que já chegar de não entender e fazer as mesmas coisas que nos levam a chorar sempre. como se a vida não entendesse que estamos cansados, muito cansados, de ficar repetindo pra nós mesmos que vai passar, que a gente já sofreu o suficiente por isso, e que não vai acontecer de novo. mas vem a vida e prega a mesma peça e, ironicamente, nos pergunta -o que há de ruim? porque não é mais forte? porque não tenta mais um pouco?
discutir já parece inconcebível... porque não há mais palavras novas pro mesmo discurso... e o sentimento de incapacidade, inutilidade, fracasso??  O que resta? fingir que tá tudo bem? mas é tudo ironicamente tão ridículo que não dá mais.... se percebe fácil... O que resta? sentar e esperar pesadamente que isso passe?(até a próxima vez que aconteça de novo) não... além de tudo, a vida exige que eu seja viva, vibrante, forte, feliz (risos)... gritar tudo isso na sua cara? gritar mais uma vez que já chega?gritar que não queria passar por isso tudo mas não aguento viver assim? hm... talvez, mas... não sei se ainda tenho tanta energia assim.. me sinto no limiar da minha sanidade, vale a pena me equilibrar sobre essa linha tênue que me permite viver entre os normais? balançar o torto equilíbrio que ainda existe entre nós?? jogar todas as cartas, todas as fichas, apostar meu último suspiro??
talvez...

[e como se não doesse pensar tudo isso, sentir que exigimos muito dessa vida que levamos, sentir que deveríamos cuidar, e parar de nos sentirmos tão mal... mas como ignorar isso que me INCAPACITA?? dói por magoar, por machucar pelo fato de estarmos cansados de sofrer por isso e dói porque tudo isso também machuca infinitamente a vida... e ao ver algo tão próximo tão frágil, tão machucado por algo que vem de nós... isso, talvez, doa até mais do que aquilo outro que nos atinge.... por isso o choro que me cala, que me impede de dizer tudo o que TANTO preciso]